sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Propagandas sem fim


Assistir televisão virou um malabarismo do controle remoto. E o perigo do botãozinho está em nunca mais lembrar do que estava assistindo e só se dar conta no dia seguinte. A coleção de filmes sem final ou faltando um pedaço, já é maior do que os inteiros e os seriados viram uma mistura de tudo. Já não sei se o médico de um seriado é o assassino de outro e se o amigo de um é o bruxo de outro. É uma confusão de personagens e tramas por causa do controle e do excesso de intervalos.
As novelas nacionais viraram um monte de pedacinhos que você só consegue juntar lendo as capas de revistas nas bancas. O fulano casou com não sei quem e o outro matou mais um e aquela vilã destruiu a vida temporariamente da mocinha. Claro que novela é sempre a mesma estória e no final sempre acaba igual, por isso perder a continuação não faz nenhum diferença.
Mas a TV aberta tem lá suas desculpas, afinal eles precisam faturar para continuar existindo. Só que a TV a cabo nem poderia usar isso como desculpa.
E pior: eles ficam repetindo comerciais da sua própria programação.
É pior auto propagando do que o Vídeo Show!
Agora tenho desenvolvido uma técnica : só vou três canais para cima e três para baixo. Assim consigo ver um filme até o fim e uns pedaços dos outros canais vizinhos.
Fico imaginando se seria possível tolerar a televisão sem o controle remoto. Só mesmo se fosse para dormir no sofá.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Insônia

Entre a faca e o facão
Mais de 30% da população economicamente ativa está sem emprego. Quatro em cada dez egípcios travam uma luta diária contra a pobreza extrema, com apenas o equivalente a US$ 2 no bolso. E o ditador Hosni Mubarak, há 30 anos no poder, ainda resiste em entregar o cargo e tenta encontrar brechas para conduzir seu filho à presidência do Egito. Na capital, Cairo, centenas de milhares de pessoas exigem o fim da corrupção e do governo Mubarak. E olhe que a marcha popular não precisou do incentivo de um trio elétrico para ir às ruas. É cidadania na veia. O problema é que a turma que quer assumir o poder não é assim tão confiável.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Trabalho Escravo

Por que parece difícil para as sociedades erradicar o trabalho escravo ou a escravidão de seres humanos?  Nem a Bíblia nem o Corão condenam a escravidão. Pelo contrário: por séculos, seus textos foram usados para legitimar a prática. E se hoje a escravidão nos escandaliza  é porque não podemos ler a Bíblia nem o Corão ao pé da letra. Se hoje abominamos a escravidão apesar de a Bíblia não condená-la, devemos repensar a nossa homofobia estimulada por leituras da Bíblia.  Instituições internacionais estimam que mais de 27 milhões de pessoas no mundo ainda vivem em condições análogas à escravidão. Absurdo! Não é porque textos considerados sagrados escritos há milênios não condenam e até defendem a escravidão, que vamos praticá-la, não é? A escravidão fere a dignidade da pessoa humana e é considerada um crime hediondo pela pela maioria das constituições e tratados. Não é porque textos considerados sagrados e escritos há milênios condenam a homossexualidade que vamos condená-la hoje em dia, não é? A homofobia e o racismo ferem a dignidade da pessoa humana e devem ser considerados crimes pela maioria das constituições. 
Os tempos são outros. Declaramos a existência de Direitos Humanos, válidos universalmente. Textos escritos há milênios não podem ser lidos ao pé da letra com propósitos escusos por demagogos e exploradores da boa fé alheia! Numa nação moderna e laica, é inadmissível que se legisle com base em dogmas religiosos e moral de livros escritos há milênios. Daqui a pouco, se nada for feito, se o voto não for consciente, não é só a homofobia que será legitimada, mas também a escravidão!